Pâncreas 2018-03-29T14:02:30+00:00

Está indicado o TP nos pacientes diabéticos insulino-dependentes (na sua imensa maioria, diabéticos tipo 1) que necessitem de transplante renal, ou que já tenham sido submetidos a esse transplante. Outras indicações seriam diabéticos com graves complicações, como retinopatia, neuropatia autonômica, ou diabetes hiperlábil. Alguns pacientes com DM tipo II poderão entrar no protocolo de transplante, desde que sejam insulino-dependentes e se descartem obesidade ( IMC < 30 ) e resistência periférica a insulina.

Principais indicações do transplante de pâncreas :
TRANSPLANTE DE PÂNCREAS E RIM SIMULTÂNEO ( TPRS ) : Diabéticos Insulino-Dependentes Urêmicos, com comprometimento da função renal, em programas de diálise ou mesmo em fase pré-diálise( Cl Creat < 20ml/min ), situação na qual já existe, ou brevemente existirá, necessidade de transplante renal.

TRANSPLANTE DE PÂNCREAS ( Doador Falecido ) e RIM ( Doador Vivo ) SIMULTÂNEO ( TPRS-V ) : Devido ao longo tempo de espera para TPRS e também pelos benefícios de se dispor de doador vivo ( principalmente quando aparentado ), vem sendo , cada vez mais utilizado, esta modalidade de TPRS, isto é, o TPRS-V. Assim, todo candidato novo para TPRS é orientado a dispor, se possível, de doador vivo renal para estudo. Se houver doador vivo compatível e apto, o paciente é inscrito na fila apenas de pâncreas ( bem mais curta e com tempo médio de espera de 3 meses ). Quando disponível o enxerto pancreático de doador cadavérico, interna-se o receptor e seu doador renal, praticando-se o TPRS-V.

TRANSPLANTE DE PÂNCREAS APÓS RIM : Diabéticos insulino-dependentes não-Urêmicos, já submetidos a transplante renal previamente mas que continuam com progressão das complicações do DM. Nesta categoria, será realizado apenas transplante de pâncreas, sendo chamado de transplante de pâncreas após rim (TPAR).

TRANSPLANTE DE PÂNCREAS ISOLADO : Diabéticos insulino-dependentes não-urêmicos, hiperlábeis, de difícil controle, com crises frequentes de cetoacidose, hipoglicemias assintomáticas, além de complicações secundárias graves, mas com função renal ainda preservada. Nesta categoria está indicado o transplante de pâncreas isolado ( TPI ) e aconselha-se ser sempre referenciado pelo endocrinologista que acompanha o caso há mais tempo. O índice de sucesso desta modalidade de TP assemelha-se ao TPAR, sendo pouco inferior ao TPRS, mas que evolui progressivamente com a maior eficiência dos imunossupressores. ( Necessário Cl Creat > 60ml/min para esta categoria de paciente e laudo do endócrino atestando labilidade ).

Critérios de inclusão no programa de Transplante de pâncreas:
• diabéticos insulino-dependentes;
• adultos com idade entre 18 e 60 anos*
• Capacidade emocional e psicossocial;
• Capacidade intelectual do paciente de compreender e cooperar com o transplante
• Capacidade de suportar a cirurgia e terapia Imunossupressora:
• Função cardiopulmonar OK (testes cardíacos de stress e/ou coronariografia descartando doença coronariana avançada ou disfunções cardíacas graves) ; pacientes com doença coronariana passível de tratamento cirúrgico devem resolver seu problema cardíaco antes do transplante;
• Ausência de falência de outro órgão ( além do rim );

Presença de Complicações Diabéticas bem definidas :
• Retinopatia proliferativa;
• Nefropatia ( hipertensão, proteinúria, redução do Cl. Creat );
• Neuropatia autonômica ou periférica sintomática;
• Aterosclerose progressiva ( macroangiopatia );
• Hiperlabilidade glicêmica, resistência a insulina, hipoglicemia assintomática com significativa piora da qualidade de vida; ausência de outras contra-indicações para o transplante incluindo múltiplas operações prévias, infecções ativas ou lesões malignas;

Casos fora desta faixa etária merecem discussão individual

Contra-Indicações Absolutas e Relativas ao Transplante de pâncreas

ABSOLUTAS
Reserva cardiovascular insuficiente com um ou mais dos seguintes achados :
• evidência de lesões coronarianas não corrigíveis à coronariografia e que restrinjam o desempenho cardíaco;
• Infarto miocárdico recente;
• Fração de ejeção < 30%;
• Infecção Ativa
• História de doença maligna com diagnóstico nos últimos 2 anos ( exceto câncer de pele não melanoma ); se houve evidência de envolvimento linfonodal em neoplasia de mama ou cólon, convém aguardar 5 anos antes do transplante;
• Abuso atual de drogas ou álcool ;
• Doença psiquiátrica grave;
• História recente de falta de aderência ;
• Incapacidade de se obter consentimento informado;
• Qualquer doença sistêmica que comprometa seriamente a expectativa de vida;
• Disfunção hepática ou pulmonar irreversível;

RELATIVAS
• Idade menor do que 18 e maior do que 60 anos;
• Hemorragia retiniana recente;
• Doença cerebrovascular ou vascular periférica sintomática;
• Ausência de suporte social e familiar;
• Obesidade extrema ( > 150% peso ideal );
• Sorologia + para HIV ou Hepatite B ;

FATORES DE RISCO
• História de IAM, falência cardíaca congestiva, cirurgia ou intervenção cardíaca;
• História de amputação ou bypass arterial;
• História de evento cerebrovascular ou endarterectomia de carótida;
• História de síndrome de hipercoagulação;

RESULTADOS MUNDIAIS
A maioria (72%) dos TP realizados no mundo são duplos de pâncreas-rim, seguido de 17% TPAR e 7% TPI . A sobrevida dos pacientes submetidos ao TP tem sido superior a 90% no primeiro ano e vem melhorando nos últimos anos
De forma semelhante, o sucesso do enxerto pancreático e renal vem aumentando nas últimas análises anuais, sendo para o pâncreas de 85% e, para o rim, de 91% .

Experiência Pessoal HEPATO
Com mais de 500 TP realizados nos últimos 14 anos, nossa equipe acumula a maior experiência latino-americana neste procedimento. Nas Figuras 1 e 2 , verifica-se a sobrevida de paciente e enxerto pancreático em nosso Grupo. Como se depreende, temos alcançado melhor sucesso com a categoria pâncreas após rim. Por tal razão, temos estimulado, quando há doador vivo para rim disponível, a realização inicial do transplante renal intervivos e, num segundo momento, o TP pós-rim.


Figura 1 – Sobrevida de paciente em 5 anos em 506 transplantes de pâncreas realizados por nosso grupo.

TPAR: Transplante de Pâncreas Após Rim
TPI: Transplante de Pâncreas Isolado
TPRS: Transplante de Pâncreas e Rim Simultâneo
TPRS-V : Transplante de Pâncreas e Rim com Doador Vivo Renal


Figura 2 – Sucesso do pâncreas em 5 anos em 506 transplantes de pâncreas realizados por nosso grupo.

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PARA QUE SERVE O PÂNCREAS?

O pâncreas é uma glândula situada no abdômen, atrás do estômago e na frente da coluna vertebral, que tem duas funções fundamentais: Segrega enzimas digestivas que passam para o intestino delgado. Essa é sua função principal e ela é imprescindível para digerirmos bem, sobretudo, as gorduras e as proteínas. Ele produz três tipos de hormônios que passam para o sangue: a insulina, que regula nossa energia, o glucagon e a somatostatina. Os três estão relacionados entre si e devem estar em equilíbrio para mantermos os níveis corretos de açúcar no sangue.